Geração Fragmentada em Tribos

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 3 comentários
Hoje é normal vermos grupos de jovens que se identificam com uma causa, com a forma de se vestir ou de ser de uma determinada “tribo”. É o caso dos Sk8tistas, PUNK´s, EMOs, Pagodeiros, Nerd´s, Esportistas, enfim, são diferentes grupos que defendem uma forma de ver e, principalmente, de viver a vida. Isso tudo faz ressaltar uma pergunta: Como lidar com uma geração fragmentada em tribos?
Bom, só conseguiremos responder esta pergunta se entendermos o que Jesus falou aos seus discípulos quanto a sua identificação com a sociedade.
Os líderes de jovens acreditam que os evangélicos devem ter uma marca que os identifiquem como “povo de Deus” em relação às outras pessoas da nossa sociedade. E com isso todos nós concordamos, o problema é que muitos trocaram a forma pelo conteúdo e isso tem gerado religiosos ao invés de pessoas parecidas com Cristo.
Jesus, quando viu que os discípulos estavam apavorados por terem percebido que Ele iria “embora” e eles não teriam mais uma referência clara de conduta, falou: “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” Jo 13:34,35 (NVI)
O que tem de novo nesse mandamento? Amar uns aos outros? Não, isso já tinha desde o antigo testamento. O novo mandamento é ser identificado somente pelo amor. A busca de um estereótipo para os evangélicos é um tiro no pé, é a volta ao antigo, é ir em direção a religião e não a Cristo.
O beijo de Judas para identificar o mestre não foi porque Jesus estava escondido, foi porque os soldados não sabiam quem era o líder, pois Jesus não tinha roupa ou aparência diferenciada.
Não devemos ter a tribo dos jovens evangélicos, devemos ter Sk8tistas cristãos, EMOs cristãos, PUNK’s cristãos, assim como na política, na arte, e em outras áreas de nossa sociedade. Criar uma sociedade evangélica só favorece as raposas do mercado evangélico, mas joga contra a expansão do Reino de Deus.
Talvez agora possamos tentar responder a pergunta que aflige os líderes de jovens e adolescentes dessa geração: Como lidar com uma geração fragmentada em tribos?
Não tem como discipular essa geração a distância, precisamos entender cada fragmento, precisamos vivenciar e sentir na pele, precisamos nos encarnar na cultura assim como Jesus fez. Ele é o nosso paradigma de contextualização.
O problema é que é muito mais fácil trabalhar com a forma, com o exterior, dando broncas e colocando regras e mais regras. Como já disse antes: A lei tem que ser forte onde os relacionamentos são fracos. Mas se trabalharmos com a essência que é o amor de Cristo uns pelos outros, não só colocaremos uma marca indelével nos jovens, mas transformaremos uma geração toda.
A nova geração está desfragmentada em tribos, devemos ser diferentes lá dentro de cada pedaço, no núcleo de cada uma, trabalhando para uni-los em um elo nunca visto antes por eles, um elo que está na essência e não nos estereótipos, o elo possível entre tribos e seres humanos, chamado amor de Jesus Cristo.
[Artigo originalmente escrito para a Revista Ideao]

3 comentários:

  • Bia Belli disse...

    Concordo com suas palavras Camila. A religião é algo criado pelo homem, devemos nos voltar é para Cristo, procurando se parecer com Ele, independente da tribo, como você tratou aqui, devemos ser um só corpo em Deus!
    beijos

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